,

Ser uma marca desafiadora é mais um estado de espírito do que um estado de mercado

Especialista em competitividade afirma, “Ser uma marca desafiadora é mais um estado de espírito do que um estado de mercado”

 

Em visita ao Brasil, o planejador publicitário e escritor Adam Morgan fala sobre como incentivar o espírito competitivo da empresa e como um pequeno negócio pode continuar desafiador, mesmo depois de se tornar o número 1

adammorgam-acervodigital

Adam Morgan é planejador publicitário, consultor da empresa americana Eat Big Fish e autor do livro “Eating the Big Fish” (ou“Comendo o Peixe Grande” – o livro não tem tradução para o português). A obra, que já teve mais de 60 mil cópias vendidas desde seu lançamento, em 1999, mostra como uma empresa pode competir com marcas líderes do seu mercado. O livro foi baseado em uma pesquisa realizada por Morgan sobre as maneiras como empresas superam desafios e obtêm sucesso.

Morgan veio ao Brasil para uma palestra promovida pela agência Future Group. O evento fez parte da segunda edição do Future Speakers Series, que reuniu, no dia 22 de setembro, nomes importantes do marketing mundial. Em entrevista ao site da Pequenas Empresas & Grandes Negócios, o especialista falou sobre como incentivar o espírito competitivo da empresa e como uma pequena empresa pode continuar desafiadora, mesmo depois de se tornar a número 1.

 

Qual é o primeiro passo para se tornar uma marca desafiadora?
Seja claro sobre quem você está desafiando. A maioria das pessoas presume que uma marca desafiadora está apenas competindo com o líder do mercado. E claro que isso é um objetivo perfeitamente válido, mas na realidade essas marcas muitas vezes são bem-sucedidas desafiando outros tipos de coisas. Um exemplo do que pode ser desafiado é a relação do consumidor com a categoria, como no caso do lançamento do console Wii, da Nintendo [a empresa lançou um controle que aumentou a interação física com o jogo]; ou o tédio e marasmo da própria categoria, como a Vitaminwater [produto à base de água, enriquecido com vitaminas e sabores]. Então o primeiro passo é ser claro sobre o que você está desafiando e o porquê disso.

 

O senhor utiliza o termo “identidade farol”, que deve ser desenvolvida pela empresa. O que quer dizer com isso? E como começar essa identidade?
Pense em um farol. Primeiro, ele está construído em uma rocha resistente. Segundo, ele convida embarcações para navegar próximas a ele – e não as segue, tentando imaginar para onde elas querem ir. Terceiro, ele projeta claramente em que posição está e o tempo todo, em todas as direções. E quarto, como resultado, você o nota mesmo que não esteja procurando. Uma “identidade farol”, portanto, é construída sobre uma verdade que diz respeito ao produto ou ao serviço, ou sobre a própria empresa, que está no centro do que a torna diferente. Com essa verdade, o negócio encontra um sentido sobre o que significa sua marca e seu ponto de vista sobre o mundo. Ao entender muito bem seus consumidores – todas as marcas devem fazer isso –, a empresa não confunde entendê-los com “navegar” por eles. Em vez disso, toma uma posição bem clara no mundo, genuinamente acredita em algo e convida consumidores que acham isso interessante para que se aproximem disso e se engajem nisso. Depois projeta essa noção em tudo que a marca faz. Cada elemento de comunicação e cada decisão de negócios. Sua ambição deve ser conhecida, ser notada mesmo que o consumidor não esteja a procurando.

Nós, como marca desafiadora, não temos dinheiro para comprar a atenção deles. Então o que irá atrair os olhares do consumidor será o brilho da ideia que defendemos e a intensidade com que fazemos isso.

 

Usar mídias sociais é um importante passo para se tornar uma marca desafiadora?
Com certeza é uma grande oportunidade. E há um número de marcas desafiadoras que as estão usando de forma bem-sucedida. Mas seria um erro presumir que todas elas deveriam confiar primariamente nessas ferramentas como estratégia. Se você tem, por exemplo, um novo produto para bebês, isso provavelmente seria um erro. Mas, no caso de uma nova linha aérea ou sabão em pó, talvez não. Em cada caso pode haver maneiras melhores de priorizar seus recursos.

 

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

Ser uma marca desafiadora é mais um estado de espírito do que um estado de mercado
5 (100%) 2 votos