Irmãs deixaram as profissões para trabalhar ao lado da mãe empresária em rede de perfumarias em 11 cidades no interior de São Paulo. Inseparáveis, as três decidiram morar no mesmo condomínio.

Quando decidiu abandonar a carreira como educadora para investir no próprio negócio, há 30 anos, Imara Borges de Oliveira não imaginava que um dia fosse se tornar uma empresária de sucesso. Mais do que isso, não pensava que a dedicação ao mercado da beleza fosse inspirar as filhas, que também deixaram as profissões para trabalhar ao lado da mãe.
Juntas, as três administram hoje uma grupo que conta com 22 lojas e duas centrais de vendas no setor de perfumaria, em 11 cidades na região de Ribeirão Preto (SP), além de uma ótica de alto padrão em um shopping da cidade.
“Ela tem uma energia envolvente, um entusiasmo muito grande que direciona a vida dela. No começo, aprendemos muitas coisas juntas, a gente evoluiu. Eu sempre soube que podia confiar na minha mãe e essa coisa do empreendedorismo motivou o início do nosso trabalho”, diz a primogênita, Fabiana Borges de Oliveira.
A opinião é compartilhada pela irmã, que destaca a disposição e o otimismo da mãe como características fundamentais para o sucesso da empresa. Jornalista por formação, Flávia Borges Montans conta que guarda poucas lembranças de Imara preocupada ou triste. O sorriso escancarado, aliás, é marca registrada das três.
“Ela sempre foi muito participativa, alegre, cheia de energia. Isso passou muito para nós. Ela é assim em casa, no trabalho, onde a gente estiver. O olhar positivo dela sobre as coisas fez com que ela conquistasse o que tem hoje. Isso cria um ambiente saudável, que prospera nas nossas lojas e cria um ambiente de boa convivência”, diz a caçula.

 

Inspiração de mãe faz negócio de sucesso em família

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Mais do que sócias, Imara, Fabiana e Flávia são companheiras, amigas. As três dividem não só o ambiente de trabalho, mas também o condomínio onde moram. A cumplicidade é tão grande que, em muitos momentos, mãe e filhas falam ao mesmo tempo, se atropelam, se olham, mas se entendem em boas risadas.
“Como mãe, como avó e como empresária, posso dizer que sou uma pessoa realizada. Eu me sinto realizada porque tenho as minhas filhas ao meu lado, dando tranquilidade sobre a continuidade de tudo o que eu construí, não só profissionalmente. A minha maior realização é poder reconhecer isso”, afirma a matriarca.
Como tudo começou
Formada em serviço social em 1966, Imara casou-se no ano seguinte e se mudou de Ribeirão para o Mato Grosso, onde passou a dirigir uma escola infantil. Cinco anos depois, voltou para a cidade natal e assumiu a direção de outro colégio. Apesar da satisfação pelo trabalho na área de educação, sentia o desejo de empreender.
“Eu sempre estava à procura de um negócio para investir, mas queria algo que fosse novo. Fui ao Rio de Janeiro ver algumas marcas, porque queria abrir minha própria loja”, conta a empresária, que conheceu a empresa de perfumaria da qual é franqueada por intermédio de primos do marido, donos de uma distribuidora da mesma rede.

 

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Em dezembro de 1987, Imara inaugurou a primeira loja de perfumes em Sertãozinho (SP). Em menos de três anos, já eram quatro unidades administradas por ela. Flávia relembra que, ainda adolescentes, ela e a irmã ajudavam na confecção dos pacotes de presentes, sem nenhuma pretensão no negócio.
“O Natal é uma época sempre de muito movimento, muitos clientes, então a gente ficava ajudando a minha mãe nos fundos da loja. A gente pedia lanche, porque a gente trabalhava até às 22h todos os dias”, diz a jornalista, emendada pela irmã. “Era o início, todo mundo da família ajudava”, conta Fabiana.
Em 1991, já formada em publicidade e propaganda, e atuando em uma agência em Ribeirão, Fabiana recebeu a proposta de se tornar sócia da mãe nas lojas. Ela afirma que, apesar do receio por ainda ser muito jovem, Imara lhe transmitiu segurança e confiança. Desde cedo, a primogênita aprendeu a separar as questões familiares das profissionais.
“Nunca chamei a Imara de mãe, isso só mudou depois que a Flávia entrou na sociedade. Eu entrei em uma realidade diferente, eram pessoas mais velhas do que eu à frente do negócio e a gente se tratava por igual. Nós sempre separamos muito a questão dos negócios”, afirma Fabiana, que atualmente é diretora comercial da empresa.

 

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Segunda fase
Com a expansão da rede no interior paulista, mãe e filha sentiam que as responsabilidades estavam pesando demais sobre as duas. Foi então que Fabiana sugeriu convidar Flávia para integrar a sociedade. Apesar de ser formada em jornalismo, a caçula da família tinha muita experiência em comunicação e seria o tripé perfeito para os negócios.
“Quando nós reformamos o escritório, já fizemos uma sala pensando nela, mas, eu queria que isso partisse da Fabiana. Para mim, seria um prazer trabalhar com as minhas duas filhas. Mas, queria esperar o momento dela, da irmã convidar, porque não existe felicidade maior para uma mãe do que ver os irmãos juntos”, afirma Imara.
Flávia diz que a proposta chegou em um momento importante na sua vida: grávida do segundo filho, a jornalista era coordenadora de um canal educativo e queria ter mais tempo para se dedicar à família. O convite aliava o útil ao agradável, já que continuaria trabalhando com comunicação. Atualmente, ela é diretora de gestão estratégica e pessoas.
“Hoje, a gente tem uma convivência familiar muito mais próxima. A gente viaja junto, a gente almoça junto. Inclusive, a gente mora no mesmo condomínio. Aos finais de semana, a gente almoça na casa de uma, toma café na casa da outra, a gente sempre está junto”, conta.

 

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Trabalho e família
Mesmo com tanta intimidade , as três garantem que dentro do trabalho impera o profissionalismo e o respeito de opiniões. Os debates mais acalorados não são poucos, mas cada uma delas tem oportunidade de expor o que pensa. Depois, as discussões sempre terminam em brincadeiras e gargalhadas.
“Da mesma forma que a gente convive em casa, com muito amor, muita compreensão, esse entendimento tem que ser levado para e empresa também. Essas características a gente tem que levar para o trabalho. Não existe quem tem mais, quem tem menos, quem é maior, quem é menor”, diz a matriarca.
Apesar da afirmação, o instinto maternal está sempre presente para harmonizar a relação das três e aparece em inúmeras demonstrações de carinho ao longo do dia, seja no telefonema pela manhã, com um beijo e um abraço apertado quando se encontram, e até na preocupação em retocar a maquiagem uma da outra.
“Mesmo que haja controvérsias, mesmo que a gente discuta, tenha opiniões diferentes, saindo dali é outra coisa. Irmã não pode dormir de mal de irmã. Mãe não fica de mal de filha, e vice-versa. Esse lado familiar tem que estar blindado para as questões da empresa. Aliás, essa é a condição mais importante para o sucesso da sociedade”, afirma Imara.

 

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Os assuntos profissionais são banidos dos encontros familiares, como os almoços realizados tradicionalmente aos sábados na casa da mãe, quando maridos e netos se reúnem em uma boa farra. E, se uma delas toca em assunto de trabalho, mesmo que seja para lembrar de uma reunião, acaba repreendida.
“A gente procura não falar de trabalho quando está em família. Mesmo porque, para os outros fica chato. A família já escuta isso toda hora”, diz Fabiana. “Tem que ter equilíbrio, e isso a gente preza muito também”, completa Flávia. “Tem hora de trabalho e hora da família. Eu costumo dizer que a gente troca o boné”, brinca Imara.
E a sucessão de mãe para filha deve continuar dentro da empresa. Uma das netas, filha de Fabiana, cursa administração e se prepara para aprender os negócios. Imara ainda não pensa em aposentadoria, mas reconhece que a união da família é o maior legado que deixará.
“Ainda falta muito para chegar onde eu quero chegar. Eu me lembro da época em que a gente tinha seis lojas, e eu pensava ‘quero 12’. Depois, eu pensava ‘nossa, a gente consegue chegar a 15’. Hoje, eu valorizo muito estar com elas, e elas estarem juntas, ultrapassando o que eu já fiz, é algo maravilhoso”, diz.

 

 

 

 

Fonte: G1