Nailtime o “Uber da unha”

A vida das mulheres anda cada vez mais corrida e quase nunca sobra tempo para ir ao salão fazer as unhas. Pensando nisso, duas amigas criaram um aplicativo que funciona como um “Uber da unha”. Você chama uma manicure pelo aplicativo e a que tiver disponível e mais perto, vai até você, seja em casa, no trabalho ou qualquer outro lugar conveniente.

O Nailtime ainda passa por testes, mas já está disponível às clientes na Play Store de celulares Android (para iPhones, será lançado em breve) e possui 46 manicures cadastradas, além de outras 400 pré-cadastradas, aguardando passarem por testes, antes de serem aprovadas para entrar no aplicativo. A ideia foi da estudante de Administração, a curitibana Josie Remer, 24 anos, e da desenvolvedora de tecnologia tcheca Veronika Kohoutova, 36 anos. Elas são amigas e buscavam um novo rumo profissional quando decidiram tocar algum projeto juntas. Inventaram a Nailtime, inscreveram o projeto num concurso e ganharam, o Geração Empreendedora – Desafio Paraná 2017, na categoria Negócio com Tecnologia.

Josie mostra que o aplicativo cumpre pelo menos três objetivos: o de valorizar as manicures (que na visão das empreendedoras, são desvalorizadas e mal remuneradas no Brasil), ajudar mulheres que não têm tempo de ir ao salão e, de forma geral, empoderar mulheres, sejam as manicures, ou as clientes.

Remuneração

Luzia Divino, 49 anos, trabalha há 18 anos como manicure. Ela já atendeu muitas clientes pelo Nailtime e diz que gosta porque lhe permite horário flexível (a manicure decide quando estará disponível) e ganhar melhor. Ela conta que, em grandes salões onde já trabalhou, precisava fazer quatro mãos e quatro pés para conseguir ganhar R$ 100. Pelo aplicativo, apenas quatro mãos são suficientes para ganhar o mesmo valor.

“Nos salões, eles descontam de você a luva, a lixa, a taxa do cartão de crédito ou débito usado pela cliente para pagar a conta, o cafezinho da cliente. Sem contar o gasto que você tem com o seu próprio material, o algodão, os esmaltes, a acetona, os alicates, etc. A manicure lucra só 49% do valor do serviço. Num salão que eu trabalhei, a dona ainda queria que eu tirasse nota fiscal no meu nome, pra que eu pagasse os impostos. Aí o lucro seria ridículo”, diz Luzia.

Ela também se sentiu atraída em entrar no aplicativo pela possibilidade de comprar acessórios com desconto, ter cursos por preços mais acessíveis e facilidades para esterilizar os acessórios. “As manicures podem se especializar, escolher quando e onde trabalhar, o quanto querem ganhar. Queremos mulheres empoderadas. Queremos mostrar que elas podem, que são capazes, que podem ter independência”, afirma Josie, colocando o empoderamento feminino como principal objetivo do aplicativo. “Não que a startup não aceite homens. Eles são muito bem vindos, como manicuros e clientes. Mas nosso objetivo são as mulheres”, crava a empreendedora.

Nailtime o “Uber da unha”

Nailtime o “Uber da unha”

E por quê as mulheres vão empreender?

Lênia apontou três motivos básicos. Um deles é a necessidade, das mulheres precisando melhorar a renda familiar, principalmente em épocas de crise, como a que o País está passando. Outro motivo são oportunidades que passam à frente. Muitas mulheres estão insatisfeitas no mercado de trabalho em que atuam, não são valorizadas pelas empresas, ficam divididas entre estar com os filhos e estar no trabalho, ou não conseguem avançar mais na empresa que trabalham porque não há mais para onde expandirem sua liderança. Por isto, abraçam a oportunidade de empreender.

“Vejo muitas mulheres em transição de carreira. Insatisfeitas com a qualidade de vida, pela a falta de tempo com a família, como crescimento da empresa. Elas se questionam sobre a segurança que elas têm dentro das empresas, nestes tempos de crise. Então largam seus empregos para empreender”, diz Lênia.

Num terceiro ponto, está a impulsividade da juventude. “Hoje temos uma molecada que não está mais tão preocupada com o estudo. Querem empreender e fazer seu primeiro milhão”, diz a consultora.

Nestes contextos que surgem, segundo ela, a maior parte das mulheres empreendedoras, que vão em busca de se reencontrar, de identificar seus talentos. Nisto, as consultorias femininas ajudam muito as mulheres a enxergarem seus potenciais e definirem seus rumos.

Fonte: Tribuna PR