Power Rangers e as franquias de super-heróis

 

Lá se vão vinte anos desde a última encarnação dos Power Rangers no cinema. Pois sob a batuta do diretor Dean Israelite (de “Projeto Almanaque”), uma nova gênese para a história dos cinco adolescentes da cidadezinha californiana de Alameda dos Anjos eleitos para salvar o mundo de uma invasão alienígena,  com clara distância estética da série televisiva, uma personagem abertamente gay, um elenco de coadjuvantes de peso encabeçado por Bryan Cranston (na pele do sábio Zordon) e Elizabeth Banks (como a vilã Rita Repulsa), e orçamento estimado em US$ 105 milhões.

 

Power Rangers e as franquias de super-heróis

Power Rangers e as franquias de super-heróis

 

“Não há nada de pequeno neste filme”, dizia o produtor Marty Bowen, no gigantesco set localizado na costa oeste canadense, há alguns meses. “A ideia foi a de modernizar os Power Rangers, deixar de lado o visual mais kitsch do passado e trazê-los para o século 21, para uma estética mais próxima dos super-heróis do cinema de hoje”.
Bowen foi figura central para tirar do papel as franquias “A Saga Crespúsculo” e “Maze Runner” e o sucesso “A Culpa É das Estrelas”, e fechou uma parceria com a Saban Brands pouco depois do criador dos “Power Rangers”, Haim Saban,readquirir os direitos de adaptação para o cinema de seus personagens, em 2010.

Os dois filmes dos anos 1990 não foram exatamente um sucesso de público ou crítica, e o principal desafio da equipe técnica foi sofisticar os personagens sem alienar a base dos fãs interessados em repetir “Go Go Power Rangers” e preparar terreno para uma nova sequencia de filmes.
“Os primeiros ‘Maze Runner’ e ‘Crepúsculo’, no entanto, foram filmes com orçamento bem mais modestos. Aqui, a responsabilidade é maior, e nossa expectativa é que [o diretor Dean] Israelite faça pelos Power Rangers o que Tim Burton fez por Batman”, diz, sem modéstia, Bowen.

 

Novos Rangers

A primeira tarefa central do diretor foi encontrar o quinteto central do filme. A ordem era buscar atores mundo afora e apostar na diversidade cultural e étnica, com um olhar no mercado internacional.
Jason Scott, o Ranger Vermelho, ficou sob os cuidados do australiano Dacre Montgomery, recém-saído da escola secundária, em seu primeiro trabalho profissional. O Ranger Azul, Billy Cranston, é o divertido RJ Cyler, ator negro conhecido do público pelo indie “Eu, Você e a Garota que Vai Morrer”. A Ranger Rosa, Kimberly Hart, é a inglesa Naomi Scott, na pele da garota popular da classe que faz algo terrível e busca redenção. A Ranger Amarela, Trini Kwan, é papel da popular da classe que faz algo terrível e busca redenção. A Ranger Amarela, Trini Kwan, é papel da pop star californiana Becky, personagem que se descobre gay. E o Ranger Preto, Zack Taylor, é agora encarnado pelo musculoso Ludi Lin,canadense de origem chinesa.

“O filme é uma grande metáfora sobre crescer, virar adulto, amadurecer, e de como é importante entrar em contato com pessoas diferentes de suas tribos”, diz Naomi Scott. “É sim sobre ter poderes e salvar o universo, mas também sobre respeitar e aprender com o outro”
Todos os Rangers treinaram arduamente durante três meses para criar uma espécie de coreografia própria, um mix de muay thai, MMA, boxe, kickboxing e exercícios de crossfit. Os uniformes foram todos desenhados pela Weta Digital, a mesma de “O Senhor dos Anéis” e “A Grande Muralha”, e Zordon, o Alpha-5 –agora uma uma espécie de R2D2 dos Rangers– e o Megazord foram recriados com imagens produzidas por computadores.

“Mas toda a tecnologia não deixa em segundo plano a mensagem central do filme, que é o fato de eles só conseguirem usar seus poderes se estiverem em grupo, o senso de comunidade é fundamental aqui”, diz o diretor Dean Israelite. “Há, até, uma homenagem ao cinema de John Hughes na cena em que eles se encontram pela primeira vez, uma clara referencia a ‘Clube dos Cinco’. A ideia foi imprimir humanidade e realismo a esta história completamente fantástica”, conta.
Israelite não nega que fez um filme à la Lionsgate, ou seja, com a clara possibilidade de ser o pontapé inicial de uma franquia. “Quero apresentar outros personagens do universo dos Power Rangers no futuro e contar como os desafios da amizade e da própria adolescência vão se interpondo no caminho dos Rangers. Eles são, deste modo, super-heróis únicos, que discutem temas aparentemente mais próximos de filmes dramáticos, e isso me encanta”.

 

 

Fonte: UOL