Não há crise para lojas de autopeças

Não há crise para lojas de autopeças

Não há crise para lojas de autopeças

O segmento de veículos usados que mais ampliou venda foi o do seminovos, com até três anos de uso.

Com o bolso mais apertado, o brasileiro optou pela compra de carro usado e por consertar o veículo que tem na garagem. Entre janeiro e julho deste ano, as quantidades vendidas de veículos seminovos e usados cresceram 7,9%, enquanto os volumes de novos recuaram 4,9%. A comparação, feita a partir de dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) e da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), inclui automóveis, comerciais leves e pesados e motocicletas.

Ilídio dos Santos, presidente da Fenauto, destaca que o segmento de veículos usados que mais ampliou venda foi o do seminovos, com até três anos de uso. De 2015 até o primeiro semestre deste ano, quando a economia começou a recuar, o aumento da comercialização de seminovos, em número de unidades, foi de 50%. “Com a crise, as famílias tiveram problemas financeiros e optaram pela compra do usado.”

Quem também ganhou com a crise foram as oficinas e as revendas de autopeças. O motorista executivo Francisco Feitosa, de 48 anos, decidiu consertar o Voyage ano 2012, com 330 mil quilômetros, que usa para trabalhar. “Faço traslado executivo, não trabalho para Uber, não”, avisa.

Ele percebeu que a direção começou a estalar e constatou que precisava trocar a junta homocinética, a peça responsável pela transmissão da força do motor para a roda. Pela peça pagou R$ 400, parcelados em três vezes, fora o custo da mão de obra para instalação, de R$ 150.

“Hoje não tenho condições de comprar o carro zero que eu quero, um Corolla, que sai por cerca de R$ 80 mil.” Com esse conserto, Feitosa acredita que poderá rodar mais 200 mil quilômetros, sem problemas.

A decisão de Feitosa foi captada pelas oficinas de reparos. No primeiro semestre deste ano, a passagem de veículos nas oficinais do País aumentou 20% em comparação com igual período de 2016, depois de já ter crescido 20% no ano anterior, conta Antonio Fiola, presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos do Estado de São Paulo e do Brasil. São 29 mil oficinais no Estado e 97 mil no País, incluindo mecânica, funilaria e pintura.

“Hoje é um bom momento para o setor”, diz Fiola. Mas ele pondera que, por causa da recessão, o faturamento não avançou no mesmo ritmo do número de veículos nas oficinas. Isso porque o valor médio dos consertos diminuiu.

Não há crise para lojas de autopeças

Não há crise para lojas de autopeças

Ritmo mais acelerado. Já há lojas de autopeças que não têm do que reclamar. A Mercado Car, por exemplo, rede varejista com seis lojas no Estado de São Paulo, registrou crescimento de 25% no faturamento na unidade da Barra Funda no primeiro semestre ante igual período de 2016, segundo o gerente José Augusto Martins. O ritmo de vendas hoje é mais acelerado do que na época em que o mercado de carros novos estava aquecido. Nessa fase o avanço nas vendas da loja era um pouco menor, entre 15% e 20%, lembra o gerente.

Com o mercado de usados está muito aquecido, isso provoca um aumento de vendas de autopeças, especialmente daquelas ligadas à parte mecânica dos veículos explica Martins. “Quem compra um carro usado dá uma manutenção no veículo e isso provoca um giro muito grande nas autopeças.”

Ele diz que para a sua empresa não há crise. Tanto é que a varejista vai inaugurar mais uma loja no final deste ano em Santo André(SP), onde funcionava uma concessionária de veículos novos. Nada mais emblemático para ilustrar o recuo das vendas de veículos novos e o crescimento das vendas de usados.

Fonte: PEGN